Grande Jogada

Sobre o futebol internacional...  (Grande Jogada) escrito em sexta 13 novembro 2009 00:49

Abaixo, um belo texto do meu amigo Leonardo Victorino Netto. Achei de muito bom gosto e interessante, principalmente para aqueles que são mais ou menos da nossa geração. Indico: http://victorinonetto.futblog.com.br/

O trabalho dele é muito bom, vale a pena conferir! Espero que gostem, boa leitura!

Essa semana, conversando com um aluno da 5º série da escola municipal onde leciono, notei como o mundo da bola anda mesmo globalizado. O garoto discutia comigo sobre Real Madrid e Milan, que seria transmitido posteriormente naquela tarde e em meio a uma empolgada conversa, percebi que quando tinha aquela idade, nunca tive um amigo na escola com quem discutir sobre a modalidade no Velho Continente. Aqueles que acompanham o futebol europeu há mais tempo, sabem que até o início da década de 90 era muito mais complicado obter informações sobre o futebol internacional. Naqueles tempos, por exemplo, álbuns de figurinha e os jornais de segunda-feira eram minha grande sacada para conhecer as equipes e seus craques, assim como ficar interado nos resultados e na classificação. Com certeza, os mais velhos começaram com o Campeonato Italiano, transmitido pela TV Bandeirantes nos bons tempos dos “holandeses do Milan” ou dos “alemães da Inter”... Na época em que a Juventus ainda fazia grandes clássicos com o Torino... Que Maradona e Careca quebravam tudo pelo Napoli... Quando o Parma era uma pedra no sapato de muita gente ou que os Silvio’s (Luiz e Lancelotti) ainda eram unanimidades entre a rapaziada. Os que se apegam ao bom futebol, com certeza migraram suas atenções para a Espanha anos depois, quando Romário (ou Ronaldo... Ou Rivaldo...) faziam a alegria da Catalunha (para não falar em Zubizarreta, Koeman, Guardiola, Stoichkov...). Nos bons tempos em que o Real Madrid não precisava do marketing de “galáctico” para fazer valer o peso de sua história (que Casillas e Raul, o quê? Estamos falando de Buyo ou Hugo Sánchez!). Quando o Atlético de Madrid com Caminero, Kiko e Penev... O Valencia de Rafa Benítez... Ou o La Coruña de Djalminha... Não se contentavam apenas com uma “vaguinha” na UCL! Pois é... O tempo passou e nos últimos anos quem entrou na briga pelo status de melhor liga nacional foi à Inglaterra, abastecida de investimento estrangeiro e atletas comuns aos jogadores de vídeo-game. A Premier League virou cult entre os adolescentes, o Chelsea virou time grande (coisa que nem Zola foi capaz de fazer) com Abramovich, o Liverpool virou desculpa para quem queria bancar o tradicional e o Arsenal um talentoso “jardim de infância”. Enquanto isso o Manchester United cansava de levantar troféus... Sim, é claro que houve John Barnes, Lineker, Eric Cantona ou Shearer (campeão nacional com o BLACKBURN!), mas tudo isso apenas para os mais “velhinhos” e não a grande massa que hoje assiste às partidas da Terra da Rainha (e naquela época ainda devia assistir Power Rangers ou Show da Xuxa). Os mais fanáticos reclamarão: “E os tempos em que o PSG era o time mais simpático de França? Que o Ajax arrebentava com Van der Sar, Litmanen, Overmars e Kluivert? Que o Jardel reinava absoluto na artilharia do Campeonato Português? Ou que Maradona e Caniggia comemoravam gols com beijos no (e na) Boca? Até mesmo quando Zico era freguês de Kazu na J. League, transmitida pela finada Rede Manchete?” Enfim, o que de fato não se pode negar é que o futebol internacional (principalmente o europeu!) torna-se cada vez mais comum entre os populares nos últimos anos. Uma afirmação dessas em um mundo que atualmente transmite os gols da UEFA Champions League no Jornal Nacional pode parecer “discurso ideológico de gente velha e rabugenta”, mas na verdade tem como objetivo apenas ressaltar o quão acessível tornou-se acompanhar as partidas disputadas fora do Brasil em universo “realista” (leia-se: composto por TV’s abertas!). O que é extremamente positivo para aqueles que gostam de futebol, independentemente das fronteiras... Mas também é preciso excetuar a alienação decorrente desse processo. Afinal, é cada vez maior o número de “especialistas” no assunto, que surgem sabe-se lá de onde, discutindo minuciosamente as questões táticas, mas que ao mesmo tempo se esquecem de dar atenção a um princípio básico (e que também deveria ser obrigatório no futebol) que é o talento. O jogo bem jogado! A modalidade atual, centrada no preparo físico intensivo e verdadeiras estratégias de guerra, precisa na verdade é de menos teoria e (muito) mais prática! De mais dribles e menos jogadas ensaiadas. De mais paixão e menos modismo. E não se trata de nostalgia, mas de simplesmente gostar de futebol. Não é preciso chegar ao extremo de torcer pelos Red Devils ou dizer que na Europa só existem “João’s” que não jogariam nem na Série C do Brasileirão. Mas de constatar o quanto é preciso publicidade para encobrir a chatice em que esse jogo vem se tornando. Nada contra a disciplina tática dos demais continentes, mas vender Real Madrid e Milan como um “jogaço de bola” é tapar o sol com a peneira. Assistir Kaká e Ronaldinho Gaúcho fora de suas características, sem arriscar uma jogada individual e mesmo assim serem exaltados na “assessoria de imprensa” que rola nas manchetes esportivas é enjoativo. Saber que foi preciso contribuição direta dos goleiros para ver 5 gols em uma partida é o cúmulo... E por mais que Real e Milan tenha sido um bom jogo para os padrões atuais (não, eu não sou da turma do Calazans, que acha que Pelé e Garrincha ainda jogam ao comentar futebol!), espero de coração que a atual geração tenha fatos e ídolos inesquecíveis (como os que saltaram de nossa memória durante o texto) para se lembrar daqui alguns anos. E não dormir achando que um carrinho bem dado já valeu o ingresso!!!

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Final  (Grande Jogada) escrito em sábado 17 outubro 2009 01:59

Na decisão, o Brasil foi superior na maior parte do tempo do jogo contra Gana. Mas a posse de bola, não refletiu em jogadas objetivas ou lances claros de gol. O Brasil chegou umas três vezes com boas chances de colocar a bola no barbante. Mas a incompetência nas finalizações dos atacantes brasileiros ficou evidente. Isso mostra que posse de bola em futebol, não significa muito. O time, sabidamente superior tecnicamente tem que se impor. Não ficar tremendo feito vara verde numa final de campeonato. As duas seleções estiveram bem abaixo do que poderiam apresentar. Os ganenses também estavam tremendo. Um deles era o mais tranquilo, o goleiro Daniel Agyei. Normalmente goleiros africanos são criticados por serem um pouco espalhafatosos e atrapalhados. Este não é o caso de Agyei, que se mostrou uma ótima opção até para a seleção principal. Dominic Adiyiah acabou mesmo como artilheiro da competição (8 gols). Ganhou a chuteira de ouro e ainda faturou o prêmio de melhor jogador. Ofuscando a estrela do time, seu companheiro de ataque, Ransford Osei. André Ayew recuperou seu melhor futebol. Ele sofre muito com a pressão de ser filho de um dos principais jogadores que Gana já teve, Abedi Pelé. Na lateral-direita, Samuel Inkoom se firmou e não deu chances para que o badalado Daniel Opare, do Real Madrid, jogasse. Espero que essa geração possa fortalecer ainda mais a seleção principal do país. Alguns desse jogadores vão sumir, outros vão brilhar. Mais uma barreira vencida pela África, desta vez no futebol.

Alex Teixeira foi eleito o segundo melhor jogador da competição, Giuliano ficou com o terceiro posto. O goleiro Esteban Alvarado da Costa Rica foi eleito o melhor. Que este resultado sirva de lição para os jogadores que vestiram a camisa da seleção neste Mundial. Uma pena ele ser disputado entre setembro e outubro. Normalmente acontece entre junho e julho, mas em função da Copa das Confederações e do clima no Egito, decidiram fazer a competição com a temporada na europa em andamento. Assim, a maioria das seleções foram com muitos desfalques. Brasil e Itália foram com times desmantelados. Já que poderiam contar com inúmeros jogadores que já brilham pelos gramados europeus mesmo com pouca idade. Os irmãos Fábio e Rafael do Manchester United são dois bons exemplos. Mesmo assim, acho que existem muitos atacantes no Brasil e no exterior melhores que Maicon e Alan Kardec. Alan do Fluminense, Dentinho do Corinthians, entre outros. O empate em 0 a 0 durante o tempo normal e na prorrogação, foi deixando o clima mais tenso. Nos penaltis, o fator psicológico já estava mais para os africanos. Agyei pegou as cobranças de Souza, Alex Teixeira e Maicon. O goleiro Rafael pegou duas cobranças das Estrelas Negras. Sem mérito pois as cobranças de Jonathan Mensah e Bright Addae foram muito ruins. Rafael não me passou segurança em momento algum, tem sérias dificuldades em bolas cruzadas na área. Esse Mundial Sub-20 superou as expectativas, principalmente a partir do mata-mata.

Agora as atenções se voltam para o Mundial Sub-17, que será disputado na Nigéria. Até lá!

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Mundial Sub-20 - Itália e Hungria - Espetacular  (Grande Jogada) escrito em sábado 10 outubro 2009 00:23

Mundial Sub-20 – Egito 2009

Para aqueles que acompanham futebol com mais afinco, nesta tarde todos ficaram muito felizes com o jogo espetacular entre Itália e Hungria pelas quartas de final do Mundial Sub-20, no Egito. Logo no começo da partida, Krisztián Németh invadiu a área e foi derrubado por Matteo Gentili. Na cobrança, o capitão Vladimir Koman teve a traquilidade necessária e balançou a rede. O time do leste europeu se manteve melhor em campo no primeiro tempo. No segundo, acabaram recuando bastante, deixando o time italiano criar algumas jogadas esporádicas. Aos 26 minutos, Gentili foi expulso após levar o segundo cartão amarelo. Complicando ainda mais a Itália. De tanto insistir - na base da raça - os Azzurrini conseguiram o gol aos 37 do segundo tempo. O lateral-esquerdo Antonio Mazzotta recebeu boa bola e finalizou forte. Sem chances para o bom goleiro Péter Gulácsi, que pertence ao Liverpool. Mas logo em seguida, o lateral-direito Francesco Bini fez falta violenta e levou o vermelho direto. Ainda antes do fim da partida Adrián Szekeres foi expulso, segundo o árbitro por uma cotovelada no atacante Mattia Mustacchio. Acho que o árbitro foi severo demais, de fato o cotovelo de Szekeres acerta o rosto do italiano. Mas não vi intenção de machucar. Mas como o colombiano Óscar Ruiz já havia expulsado dois italianos, sentiu a pressão e mandou um húngaro para o chuveiro mais cedo. Na prorrogação o jogo foi bastante equilibrado. Mesmo com os italianos com um jogador a menos. Vale explicar que a Hungria veio de um jogo muito desgastante contra a boa seleção da República Tcheca na fase anterior. Empate em 2 a 2 no tempo normal. Gols do zagueiro Máté Kiss e de Vladimir Koman pela Hungria, Jan Vosahlik e Michael Rabusic para tchecos. Na prorrogação nada de gols. Nos pênaltis quem brilhou foi o goleirão Gulácsi que defendeu três cobranças. Voltando ao grande jogo deste dia, a seleção italiana equilibrava as ações mesmo com um a menos por estar com os jogadores mais inteiros. Mas aos 112 minutos de jogo, Koman fez belo lançamento para Németh, que driblou o goleiro, fazendo o gol que parecia decretar a classificação húngara. Mas logo no minuto seguinte, Giacomo Bonaventura empatou após bela jogada individual. Saiu driblando vários adversários e bateu da entrada da área. Logo em seguida, Michelangelo Albertazzi - zagueiro do Milan - acabou expulso após puxar a camisa de Németh. Quando todos já esperavam as penalidades, Németh recebeu outro grande passe de Koman, ganhou na velocidade dos zagueiros e tocou na saída do goleiro Fiorillo. Isso aos 117 minutos de jogo, dá-lhe superação.

Decadência Italiana

 Claro, não posso deixar de apontar que a seleção Sub-20 da Itália que disputou este Mundial foi formada por garotos totalmente desconhecidos do grande público. Não pôde contar com jogadores importantes. Como os atacantes Antonio Paloschi, Mario Balotelli e Stefano Okaka Chuka. Os dois últimos têm ascendência ganense e nigeriana respectivamente. Os três não foram convocados por jogarem regularmente por suas equipes na Itália. Okaka Chuka nem tanto, pertence ao time da Roma, mas é sempre emprestado a outros clubes. Neste ano deve ficar no clube. Completou 20 anos no dia 8 do mês passado. É alto, forte e rápido. Melhor que os convocados Mattia Mustacchio, Umberto Eusepi, Gianvito Misuraca e Piergiuseppe Maritato. A maioria dos jogadores convocados atuam em times das divisões inferiores da Itália. Davide Santon, de apenas 18 anos, fez muita falta a esse time. Apesar de jovem, ele tem uma força mental muito grande, além de qualidades técnicas, joga tanto na lateral-direita quanto na esquerda, mesmo sendo destro. Foi titular em muitos jogos na temporada passada na Internazionale. Balotelli, também chamado de Turbomario pela torcida da Inter, seria titular absoluto nesta equipe. O apelido é bastante sugestivo, levando em conta a potência física que tem. Com 1,89 m, 88 quilos, não é qualquer zagueiro que topa essa parada. Claro, o que mais chama atenção não é sua força, e sim suas qualidades como atacante. Paloschi apareceu muito bem no Milan, boa revelação do clube. Mas sem muita explicação foi emprestado ao Parma. Foi um dos principais responsáveis pela volta do simpático clube a Série A italiana. Ainda assim, continua emprestado ao Parma nesta temporada. O Milan numa fase horrível necessita de um matador nato. Tem o cara, mas prefere emprestá-lo. Enfim, a Itália precisa de uma revigorada. Seus estádios não são tão modernos, a média de público dos jogos não empolga. Se continuar assim deve perder o posto de terceira maior liga na Europa para a Alemanha. Que tem estádios novos, modernos e sempre lotados. E a qualidade dos jogos está melhorando bastante. Posso dizer que tirando os clássicos, os jogos da Bundesliga empolgam mais que os da Série A. Essa é uma visão que tenho. Claro, pode não ser a de outras pessoas. Tenho outras preocupações também. Faz tempo que a Itália não revela zagueiros de qualidade. Não temos mais jogadores do nível Nesta-Maldini-Cannavaro. Sem falar em outros monstros como Franceschino "Franco" Baresi, Gaetano Scirea, Giacinto Facchetti, Giuseppe Bergomi e Claudio Gentile. Quem dera se o Gentili expulso hoje, tivesse metade da categoria que tinha o saudoso Gentile. Dessa seleção os poucos que se salvam são o goleiro Vincenzo Fiorillo, o meia da Atalanta, Giacomo Bonaventura e o zagueiro Michelangelo Albertazzi do Milan. Apesar de ter sido expulso hoje, demonstrou ser um zagueiro razoável. Fiorillo é apontado como o futuro sucessor de Buffon na seleção principal. Com elogios do próprio goleiro atual titular absoluto da Itália, está com moral o garoto de apenas 19 anos.

 Futuro promissor na Hungria

Se não tem zagueiros muito confiáveis, essa seleção pode aproveitar muito o talendo de Vladimir Koman e Krisztián Németh. O primeiro, nasceu em Uhzgorod, na Ucrânia. Fez toda sua carreira até então, ironicamente na Itália. Desde a temporada 2006/2007 pertence a Sampdoria. Esteve emprestado ao Avellino da Série B na última temporada. Na atual está emprestado ao Bari, que retornou a divisão principal depois de algum tempo e pretende ficar. Koman pode ser uma das boas armas do pequeno clube, principalmente nas jogadas de bola parada. Németh nasceu em Györ, defendeu o Magyar Testgyakorlok Köre, mais conhecido como MTK, clube da capital Budapeste. Por lá ficou nas temporadas 2005/2006 e 2006/2007, logo chamou atenção dos ingleses do Liverpool. Esteve emprestado ao Blackpool da segundona inglesa na temporada passada. Hoje defende o AEK, da Grécia. No próximo ano, Rafa Benítez deve com toda certeza aproveitá-lo no elenco principal dos Reds. As características marcantes dele são velocidade e drible curto. Além é claro, da frieza que demonstrou hoje ao ficar cara a cara com o goleiro. Péter Gulácsi colega de seleção, também andou sendo emprestado pelo Liverpool. Jogou no MTK, retornou a Inglaterra onde defendeu o Hereford United, clube da League Two - quarta divisão - na temporada passada. Hoje é o terceiro goleiro da equipe inglesa. Demonstrou segurança, entre outras qualidade nesse Mundial Sub-20. Depois de muitos anos sumida do grande cenário europeu, a Hungria ainda tem chances de ao menos chegar a repescagem na briga por uma vaga na próxima Copa. Na África do Sul em 2010, a situação é complicada. Precisa vencer Portugal e Dinamarca fora de casa e ainda torcer por tropeços das mesmas e também da Suécia. Mas já é um alento para um país que um dia, já teve a melhor seleção do mundo. Quando esses garotos se juntarem a bons nomes como Tamás Hajnal, Szabolcs Huszti e Balázs Dzsudzsák, as chances de estarem no Brasil em 2014 são grandes.

Finalizando

Apesar dos elogios, é pouco provável que a Hungria passe para a final. Já que enfrenta a ótima seleção de Gana. Que tem Dominic Adiyiah e Ransford Osei. Uma dupla de ataque muito perigosa. Adiyiah inclusive, é artilheiro da competição. E o camisa 10 desta equipe é filho de Abedi Pelé, grande jogador ganense. André “Dedé” Ayew tem uma boa perna esquerda. Está pintando uma final entre Brasil e Gana. O que seria muito legal. Mas antes, o Brasil precisa passar pela Alemanha. Dos irmãos Lars e Sven Bender e de Richard Sukuta-Pasu, cuidado com esse jogador!

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