Abaixo, um belo texto do meu amigo Leonardo Victorino Netto. Achei de muito bom gosto e interessante, principalmente para aqueles que são mais ou menos da nossa geração. Indico: http://victorinonetto.futblog.com.br/
O trabalho dele é muito bom, vale a pena conferir! Espero que gostem, boa leitura!
Essa semana, conversando com um aluno da 5º série da escola municipal onde leciono, notei como o mundo da bola anda mesmo globalizado. O garoto discutia comigo sobre Real Madrid e Milan, que seria transmitido posteriormente naquela tarde e em meio a uma empolgada conversa, percebi que quando tinha aquela idade, nunca tive um amigo na escola com quem discutir sobre a modalidade no Velho Continente. Aqueles que acompanham o futebol europeu há mais tempo, sabem que até o início da década de 90 era muito mais complicado obter informações sobre o futebol internacional. Naqueles tempos, por exemplo, álbuns de figurinha e os jornais de segunda-feira eram minha grande sacada para conhecer as equipes e seus craques, assim como ficar interado nos resultados e na classificação. Com certeza, os mais velhos começaram com o Campeonato Italiano, transmitido pela TV Bandeirantes nos bons tempos dos “holandeses do Milan” ou dos “alemães da Inter”... Na época em que a Juventus ainda fazia grandes clássicos com o Torino... Que Maradona e Careca quebravam tudo pelo Napoli... Quando o Parma era uma pedra no sapato de muita gente ou que os Silvio’s (Luiz e Lancelotti) ainda eram unanimidades entre a rapaziada. Os que se apegam ao bom futebol, com certeza migraram suas atenções para a Espanha anos depois, quando Romário (ou Ronaldo... Ou Rivaldo...) faziam a alegria da Catalunha (para não falar em Zubizarreta, Koeman, Guardiola, Stoichkov...). Nos bons tempos em que o Real Madrid não precisava do marketing de “galáctico” para fazer valer o peso de sua história (que Casillas e Raul, o quê? Estamos falando de Buyo ou Hugo Sánchez!). Quando o Atlético de Madrid com Caminero, Kiko e Penev... O Valencia de Rafa Benítez... Ou o La Coruña de Djalminha... Não se contentavam apenas com uma “vaguinha” na UCL! Pois é... O tempo passou e nos últimos anos quem entrou na briga pelo status de melhor liga nacional foi à Inglaterra, abastecida de investimento estrangeiro e atletas comuns aos jogadores de vídeo-game. A Premier League virou cult entre os adolescentes, o Chelsea virou time grande (coisa que nem Zola foi capaz de fazer) com Abramovich, o Liverpool virou desculpa para quem queria bancar o tradicional e o Arsenal um talentoso “jardim de infância”. Enquanto isso o Manchester United cansava de levantar troféus... Sim, é claro que houve John Barnes, Lineker, Eric Cantona ou Shearer (campeão nacional com o BLACKBURN!), mas tudo isso apenas para os mais “velhinhos” e não a grande massa que hoje assiste às partidas da Terra da Rainha (e naquela época ainda devia assistir Power Rangers ou Show da Xuxa). Os mais fanáticos reclamarão: “E os tempos em que o PSG era o time mais simpático de França? Que o Ajax arrebentava com Van der Sar, Litmanen, Overmars e Kluivert? Que o Jardel reinava absoluto na artilharia do Campeonato Português? Ou que Maradona e Caniggia comemoravam gols com beijos no (e na) Boca? Até mesmo quando Zico era freguês de Kazu na J. League, transmitida pela finada Rede Manchete?” Enfim, o que de fato não se pode negar é que o futebol internacional (principalmente o europeu!) torna-se cada vez mais comum entre os populares nos últimos anos. Uma afirmação dessas em um mundo que atualmente transmite os gols da UEFA Champions League no Jornal Nacional pode parecer “discurso ideológico de gente velha e rabugenta”, mas na verdade tem como objetivo apenas ressaltar o quão acessível tornou-se acompanhar as partidas disputadas fora do Brasil em universo “realista” (leia-se: composto por TV’s abertas!). O que é extremamente positivo para aqueles que gostam de futebol, independentemente das fronteiras... Mas também é preciso excetuar a alienação decorrente desse processo. Afinal, é cada vez maior o número de “especialistas” no assunto, que surgem sabe-se lá de onde, discutindo minuciosamente as questões táticas, mas que ao mesmo tempo se esquecem de dar atenção a um princípio básico (e que também deveria ser obrigatório no futebol) que é o talento. O jogo bem jogado! A modalidade atual, centrada no preparo físico intensivo e verdadeiras estratégias de guerra, precisa na verdade é de menos teoria e (muito) mais prática! De mais dribles e menos jogadas ensaiadas. De mais paixão e menos modismo. E não se trata de nostalgia, mas de simplesmente gostar de futebol. Não é preciso chegar ao extremo de torcer pelos Red Devils ou dizer que na Europa só existem “João’s” que não jogariam nem na Série C do Brasileirão. Mas de constatar o quanto é preciso publicidade para encobrir a chatice em que esse jogo vem se tornando. Nada contra a disciplina tática dos demais continentes, mas vender Real Madrid e Milan como um “jogaço de bola” é tapar o sol com a peneira. Assistir Kaká e Ronaldinho Gaúcho fora de suas características, sem arriscar uma jogada individual e mesmo assim serem exaltados na “assessoria de imprensa” que rola nas manchetes esportivas é enjoativo. Saber que foi preciso contribuição direta dos goleiros para ver 5 gols em uma partida é o cúmulo... E por mais que Real e Milan tenha sido um bom jogo para os padrões atuais (não, eu não sou da turma do Calazans, que acha que Pelé e Garrincha ainda jogam ao comentar futebol!), espero de coração que a atual geração tenha fatos e ídolos inesquecíveis (como os que saltaram de nossa memória durante o texto) para se lembrar daqui alguns anos. E não dormir achando que um carrinho bem dado já valeu o ingresso!!!











Philippe Dutra
Ter 24 Nov 2009 16:33